Cidade Pomar
Natureza Organizada / Ordem Permanente

Objectivo
Criar na cidade do Fundão um laboratório de investigação artística e científica de ar livre que combine arte, natureza e cidade – CIDADE POMAR – um “Pomar/Jardim” ou “Mosaico de Pomares”.

Ideia Inaugural
A ideia inicial para esta proposta surgiu pela observação do “Pomar” desenvolvido pelos Árabes, concretamente os laranjais, que trouxeram a laranja da China e a combinaram com a geometria Egípcia que já tinham observado nos jardins Persas, moldando depois a paisagem das urbes que foram construindo por todo o al-Andaluz e mais especificamente em Sevilha, Córdova e Granada.

Por outo lado, as árvores e os pomares das cidades surgem na poesia desde a Antiguidade Clássica com Homero, Virgílio ou Ovídio, bem como nas diferentes mitologias onde são extraordinariamente relevantes, por vezes até estruturantes. Para além de serem uma presença contínua na observação da vida e acção humanas, são os próprios humanos a eternizarem-se simbolicamente mas próprias árvores como acontece com os mitos das Helíades, de Dríope e de Dafne onde ninfas são transformadas em choupos, jujubeira e loureiro, respectivamente.

 

Natureza Organizada
A geometria a determinar uma “ordem permanente” da natureza.

É possível que esta ideia tenha começado no Egipto com a invenção da geometria na modelação da natureza, tendo-se depois expandido e desenvolvido na Pérsia (onde a palavra jardim já significava paraíso) com a geometria a determinar uma “ordem permanente” da natureza.

Posteriormente, este conceito ganhará uma dimensão sagrada nas diferentes civilizações e em praticamente todas as religiões universais.

Já no que diz respeito ao pensamento, as “filosofias da natureza” de Platão, Aristóteles e mais tarde Alfarafi inauguram uma etapa que só terá novos desenvolvimentos a partir do séc. XVII com Espinosa, Descartes, Bacon e depois com os Iluministas que se seguiram.

Como a revolução industrial origina alterações demográficas nunca vistas, surge pela primeira vez a necessidade de outro tipo de pensamento. Foi necessário repensar rapidamente as “novas” urbes onde a vida dos seus habitantes era extremamente precária e degradante.

Assim, é já em finais do seculo XIX e princípios do seguinte que surgem novos conceitos genericamente relacionados com o que hoje se entende por “arquitectura da paisagem”.

 

A Árvore como “Centro”
A árvore é o elemento natural mais frequente na paisagem urbana, tendo a relação desta com a cidade uma longa tradição, podendo ser considerada a principal presença viva da natureza junto do homem.

 

Proposta de Pesquisa e Desenvolvimento

Propõe-se a exploração dos binómios:
Natureza Organizada/Ordem Permanente e Espaço/Ambiente

Espaço
– Espaço físico – cartesiano (coordenadas)
– Espaço perceptivo – filosófico (percepção imediata do ambiente / geradora de pensamento)
– Espaço cognitivo – representação mental do individuo na experiencia directa/indirecta

Ambiente
– Bem-estar (vida actual)
– Futuro (vida futura)
– Valor intrínseco da natureza